Vivemos uma nova era de ouro do RPG?


(as seguintes opiniões são de responsabilidade do autor Aforen Kass)


É lugar comum no meio RPGístico, centralmente entre os jogadores que passaram jogando pelo período do início da década de 90, afirmar a existência, e também o fim da “era de ouro” do RPG. Com a ajuda de alguns veteranos, recolhi informações para ter um conceito sobre o que seria essa tal “era”.

Um conceito para “a era de ouro do RPG”

Fala-se sobre um período em que o RPG vivia grande escassez de material e livros disponíveis mesmo para a compra do público brasileiro. O que muito se fazia era a reprodução por fotocópias de material, daí um jargão usado no meio RPGistico da tal “geração xerox”, que convivia com o fato de ter poucos materiais traduzidos (diante da esmagadora maioria da produção em RPG ser dos EUA) ou dos que existiam nem chegarem a muitos lugares; o contato pessoal era uma das principais formas de troca de informações e livros fotocopiados. O jogo se disseminava praticamente apenas via contatos pessoais, na “raça”, sem o suporte de mídias poderosas como hoje temos, por exemplo, a internet. Além do mais, alguns apontam que os livros da época eram mais voltados para uma boa ambientação de cenário do que para muitas regras e montes de suplementos; no geral é algo que vem envolto em um certo saudosismo, apontando para a realidade de hoje como um momento em que a qualidade de outrora do jogo teria se perdido para a moda e os estereótipos atuais, e até mesmo que antes haviam mais jogadores. 

Há muitas controvérsias sobre esse tema...e queremos aqui levantar a seguinte questão...o que seria uma “era de ouro”?

Da Grécia aos tempos atuais

O termo Era de ouro se origina da mitologia grega, que definia esta como a mais antiga e longínqua dentro da ordem idade de ferro, bronze, prata e ouro; a era de ouro seria a inicial, onde o estado dos seres estaria em plenitude e pureza, vindo as demais subseqüentes até a decadência dos seres. 

Os diversos meios de criação humana, sejam eles artísticos ou científicos, entre outros, passaram a utilizar essa ordem mitológica para designar períodos de maior ou menor produção e qualidade. Temos por exemplo a Idade de Ouro do cinema Holywoodiano de 1930 a 1940, do rock de 1963 a 1974, da musica popular brasileira de 1930 a 1940...e centenas de outros exemplos. Mas o comum entre eles é que, durante esse período destacado, a produção foi extremamente intensa em quantidade e qualidade, não se repetindo em outros momentos da história.

Pois bem, o que vemos hoje, no início da segunda década do século XXI no Brasil, não seria o momento de maior criação, produção e divulgação do RPG, em quantidade e qualidade? Há os que discordam, há os que concordam.

Uma nova era de ouro.

Fazemos agradecimentos especiais a João Eugênio e Jonh Bogéa, que nos explicaram um pouco o que seria a tal “era de ouro”, ou melhor, deixaram em suas palavras a posição que defendem sobre o controverso assunto. Respeitando nossa pouca experiência no mundo RPGistico, mas não podendo deixar de dar uma opinião.

Devemos de fato considerar o início da década de 90 como um momento ímpar na história do RPG no Brasil, onde o hobby teve uma maior divulgação em relação aos anos anteriores, onde os “desbravadores” abriram espaço para que pudéssemos chegar hoje onde estamos. Mas é preciso abordarmos com seriedade o que existe hoje em termos de produção, divulgação, quantidade de eventos, jogadores, qualidade de material. E estamos falando de pesquisa minuciosa, quem sabe o início de um projeto de estudos históricos sobre estas décadas iniciais dos jogos de interpretação de personagens no Brasil.

Certamente não conseguiremos isso aqui e agora, mas queremos instigar e nos instigar a isso. Mas fazendo uma observação rasa, não podemos deixar de destacar que os últimos anos são expressivos com a boa divulgação que a internet proporciona, a quantidade de editoras surgindo no mercado, os debates que se acumulam na academia e outros espaços sobre RPG e educação/lazer/lúdico, o início de uma visão diferenciada por parte da sociedade sobre o que seria nosso jogo, a quantidade e qualidade de eventos que acontecem e surgem em todo o país, e ainda os RPG’s indie, que gera outros elementos mais e mais profundos, mas para não estender muito, fica para outro artigo.

Vivemos um momento muito rico no cenário RPGístico brasileiro, por tudo o que vemos se desenvolver; só podemos concluir que vivemos a “2º era de ouro do RPG brasileiro”, em que o maior destaque fica por conta de começarmos a andar mais firmemente com as próprias pernas, apesar de todas as dificuldades e compreensões ainda existentes.


Original de: Espírito Livre grupo de RPG

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