A magia sutil do RPG


       Assim como os grandes gatunos adquirem uma habilidade quase mágica na arte do blefe e trapaça nos diferentes jogos de azar, a experiência possibilita que nos jogos de interpretação de personagem, uma fina e sensível arte, uma magia sutil seja criada entre e pelo mestre e jogadores. A mesa, a sessão de jogo, é como o lugar sagrado em que todos os poderes se desenvolvem; por conta disso, precisa ser preparada cautelosamente com antecedência, a começar por quem vai conduzir as histórias.
Os primeiros encantamentos passam pelas mãos do mestre que precisa estender seu poder às palavras; o uso de runas e anotações em pergaminhos é essencial para que não falhe no momento de execução da narrativa. Para envolver a todos, ajuda a atenção aos detalhes: o local onde se passará a empreita, a qualidade dos objetos sagrados utilizados, o uso de canções de poder que representem o ambiente em que se passará as aventuras.
Mas se o mestre conduz como um maestro, ele precisa de uma banda com ótimos músicos; os jogadores devem incorporar o espírito do sucesso a ser alcançado, assim cada personagem, interpretação, envolvimento com as artes da narrativa, possuem as mesmas capacidades de evocação de poderes como qualquer outro elemento do RPG. Em nada ajuda palavras tortas e desmedidas que saem da boca de tolos e feiticeiros frustrados; é preciso acertar o compasso e conhecer as bases da existência dos personagens a que se dá vida, vivenciá-los em seu mundo, e estar preparado para viver experiências que podem ser difíceis e chocantes.
Os poderes do início do mundo estão a espreitar cada canto do infinito; a habilidade de um RPGista em se conectar com esses poderes é testada a todo momento que se postula ao incrível desafio imaginativo. As possibilidades escondidas na essência de um grupo podem ser tanto construtoras quanto devastadoras. É preciso saber sentir a magia sutil do RPG.

By Aforen Kass

publicado originalmente em
http://espiritolivrerpg.blogspot.com/

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